quarta-feira, 21 de junho de 2017

Pedrógão, uma raiva sem fim...

por Agostinho Lopes

Quem destruiu o aparelho do Estado para as Florestas portuguesas? E em nome de quê? E por ordem de quem? Estando tudo ou quase tudo cadastrado neste país, os homens, as casas, os carros, os contribuintes, porque nunca avançou o cadastro florestal? Quem fez avançar a ideia de que o problema dos incêndios florestais é da floresta abandonada? De terra sem dono? Dos pequenos proprietários que não cuidam das suas terras?

Créditos / Associação Bombeiros para Sempre

Não sei porque não posso espumar de raiva, pelos mortos queimados da tragédia de sábado. E por isso cresce-me uma tal raiva capaz de pegar fogo à água que habitualmente o apaga. Uma raiva de lágrimas e palavrões, daqueles que arrebentam penedos…

Vamos ter missas de pesar… comícios de soluções… conferências de imprensa de estudos e planos…

Vamos ter tudo o que é habitual em casos que tais, comissões parlamentares eventuais, investigações da PJ, declarações da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), discursos de ministros (por baixo, do, da Agricultura e da, da Administração Interna), de ex-ministros e até de ex-primeiros-ministros… Vamos ter tudo, tudo o que tivemos em vezes que tais… (perdoa-me Gedeão, a mal amanhada paráfrase…).

Vamos ter pena dos mortos, das árvores que arderam (até o eucalipto vai ter o seu avé-maria), dos coelhos e raposas, e até dos calhaus que com o calor racharam (só é pena que outros calhaus não rachem, mesmo de frio, já servia!).

Senhores, senhores, já tudo foi dito e escrito. Há muito. Há décadas. Já não posso mais ouvir falar de certas coisas. Já não aguento tanta repetição. Tanto disco riscado! Tanto relatório. Tanta comissão.
Tanta chuva onde já choveu. Tanto sol na eira e chuva no nabal! Por que razão não se quer gritar alto, tão alto, que as trombetas do Apocalipse parecerão ronronar de gato… que não se fez nem faz o que se tem de fazer, porque isso custa pilim… porque isso no Orçamento do Estado implica com o défice, com a dívida, com o grupo do euro, com o Semestre Europeu e o Programa de Estabilidade, com o Moscovici e o Juncker, com o Schäuble e a Merkel, com as e os… a todos!

Porque isso, chegado Outubro, vêm umas pingas e tudo fica resolvido, cai no borralho, e até serve para assar castanhas… E lá vêm mais umas reformas da floresta, mais uma catrefa de decretos-leis, portarias e despachos, oh sim muitos despachos, que a despachar para o dia de S. Nunca em Fevereiro com 30 dias, é fácil, é barato e não chateia os senhores de Bruxelas… Haverá até, para entreter os senhores deputados umas propostas de lei, em assuntos que são da competência legislativa da Assembleia da República… Senhores, não há paciência para tanto estrume…

Pobre do Diário da República, que não há folhas que lhe cheguem para tanta lei… para tanta decisão oficial e legal… para tanta recomendação… E quatro vezes pobre, a floresta, que não lhe bastando os incêndios, ainda tem o Diário da República nas suas três séries, mais o Diário da Assembleia da República a consumir o papel das árvores que sobraram dos incêndios para escrutinar e registar os incêndios florestais…

Vamos repetir tudo de novo outra vez? Oiçam os dentes a ranger! Vejam os olhos a deitar lume. Vejam a boca a espumar. Só não dou coices porque… mas é o que apetecia. E o problema não é ser assemelhado ao animal… mas porque não tenho à beira quem os merece.

Vamos ver:

Conhece-se o que são os matos, os pinhais, as bouças, a dita floresta do Norte e Centro de Portugal? Sabe-se que é uma floresta de pequenos proprietários. Imbricada até ao sabugo com as também pequenas explorações agrícolas. Sabe-se? Então se se sabe porque não se actua em conformidade?

Sabe-se que é «abandonada» porque a madeira nada dá… e sabe-se quem compra a «madeira», ou a cortiça… o Belmiro, o Queiroz Pereira, o Amorim… E senhores, gastam-se milhões de euros de dinheiros públicos – nacionais e comunitários – a subsidiar as fábricas desses senhores, e depois não há massa para os sapadores florestais, para o cadastro, para as equipas de análise do fogo, para as faixas de gestão de combustível???

Por favor, não brinquem com a gente, feitos sátrapas de meia tigela. Por que razão não se recompõe o corpo de guardas florestais, constatado o crime público que foi a sua liquidação? Custa dinheiro ao erário público? Pois custa, que ninguém trabalha de borla. Nem os da Santa Casa… Cresce o número de funcionários públicos, e isso mexe com a despesa orçamental, e sobretudo com os bonzos de Bruxelas? Pois mexe, mas a não ser que os convençam a ingressar nos corpos de bombeiros voluntários – e podia ser uma forma da burocracia bruxelense fazer férias activas – não há maneira…

Por que razão o número de Equipas de Sapadores Florestais – 500 – previsto num Plano oficial de técnicos florestais da passagem do século, 2000, se me não engano, há tanto tempo foi, continua a meio pau? Porquê? Falta de graveto? Mas ele há tanto na nossa floresta…

(Mas não se seja injusto. Os que liquidaram o corpo de guardas florestais, os mesmos que nada fazem para que o número de Equipas de Sapadores chegue aos 500, previsto há quase duas décadas, gente que passa os dias a falar da qualificação dos portugueses, têm avançado com a interessante hipótese de resolver o problema da carência de recursos humanos da floresta portuguesa pelo recurso (repetição adequada) a trabalhadores desempregados e reclusos! Como quem diz, para quem é, (a floresta portuguesa) bacalhau basta, isto quando o bacalhau era a pataco… É claro que nem os desempregados nem os reclusos têm alguma responsabilidade nesta miserável instrumentalização…).

Por que razão as faixas de gestão de combustível, as primárias pelo menos, constando de sucessiva legislação – desde o Decreto-Lei 124/2006 – não estão concretizadas? Não acham que 10 anos deviam chegar? Falta de quê? De vontade? De verba? De um comando único e eficaz de todos estes processos da floresta portuguesa, prevenção e combate, espartilhados por não sei quantos ministérios, certamente para que ninguém verdadeiramente possa assumir as responsabilidades dos desastres que, fatais como o destino, fatais como dizem que era o fado, fatais como a brutalidade da morte que tão brutalmente cortou cerce a vida a 64 homens e mulheres deste país!

Quem destruiu o aparelho do Estado para as Florestas portuguesas? E em nome de quê? E por ordem de quem? Estando tudo ou quase tudo cadastrado neste país, os homens, as casas, os carros, os contribuintes, porque nunca avançou o cadastro florestal, que todos, suma hipocrisia, diziam e dizem ser condição necessária para a boa gestão florestal. Quem fez avançar a ideia de que o problema dos incêndios florestais é da floresta abandonada? De terra sem dono? Dos pequenos proprietários que não cuidam das suas terras?

E logo, faz-se uma lei para que essa terra possa ser roubada, faz-se outra lei para criar uma bolsa ou banco de terras, dão-se uns «incentivos fiscais» a uns fundos de investimento, que vem a correr da Bolsa de Nova Iorque para a arrendar/comprar e plantar rosas e orquídeas… (Senhor, Senhor porque lhes não dais juizinho!!!).

Poderão alguns, com alguma razão, dizer que não se deve brincar com coisas sérias. Mas o que dizer do sucedido com o anterior governo PSD/CDS e a ministra Cristas que, depois de excluir do Regime Florestal total a Herdade do Ribeiro do Freixo, de 320 hectares, e desanexá-la da tutela pública para dar movimento (privatizá-la!) à sua bolsa de terras, devolveu à tutela pública a Mata da Margaraça de 67,578 hectares de propriedade pública para «compensar». Baralhados?
Como bem percebem os especialistas em algoritmos, 320 hectares na Floresta 4.0 valem o mesmo que 67,578 hectares, dos antigos agrimensores. E que o público se compensa com público, mesmo que em escala reduzida! Foi o Decreto 9/2015, diploma que também ninguém sabe bem o que é…

Quem são os responsáveis pela floresta em mancha contínua de pinheiro ou eucalipto? (E agora parece que já não lhes serve esse eucalipto…) Quem sacudiu os povos dos baldios do que era seu, para lá pôr pinheiro? Quem defendeu uma política agrícola de liquidação da pequena agricultura para lá pôr eucalipto? E o problema é que acham, continuam a achar, depois de tudo o que aconteceu, e do que vai acontecer ainda, que estão com o passo certo… E, contrariamente à bem conhecida anedota, sabem que não vão com o passo trocado, mas a toque de caixa de quem considera a floresta portuguesa o seu banco Fort Knox! A quem devem preito de menagem…

Dizemos isto, mas não nos sai da boca este sabor a raiva e lama, a raiva e carvão negro, a raiva e a um infinito lamento… Eram as horas certas em todos os relógios (perdoa-me Garcia Lorca), mas nos nossos relógios só podem rimar a raiva e a dor pelo que não podia ter acontecido… no sábado 17 de Junho de 2017, em Pedrógão Grande.

Que raiva e dor não poder fazer nada, quando tanto podia ter sido feito!

aqui:http://www.abrilabril.pt/pedrogao-uma-raiva-sem-fim

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Terrorismo na Grã-Bretanha: O que é que a primeira-ministra sabia?


por John Pilger
 
O indizível na campanha eleitoral britânica é isto. As causas da atrocidade de Manchester – na qual 22 pessoas, jovens na maior parte, foram assassinadas por um jihadista – estão a ser omitidas a fim de proteger segredos da política externa britânica.

Questões críticas – tais como porque o serviço de segurança MI5 manteve "activos" terroristas em Manchester e porque o governo não advertiu o público da ameaça em seu meio – permanecem sem resposta, desviadas pela promessa de uma "revisão" interna.

O alegado bombista suicida, Salman Abedi, fazia parte de um grupo extremista, o Libyan Islamic Fighting Group (LIFG), que prosperou em Manchester e foi cultivado e utilizado pelo MI5 durante mais de 20 anos.

O LIFG está proscrito na Grã-Bretanha como uma organização terrorista que pretende um "estado islâmico linha dura" na Líbia e "faz parte de um movimento extremista global mais vasto, inspirado pela al Qaida".

Há uma "arma fumegante": quando Theresa May foi secretária do Interior permitiu aos jihadistas da LIFG viajarem desembaraçadamente por toda a Europa e foram encorajados a empenharem-se na "batalha": primeiro para remover Muammar Kadafi da Líbia, a seguir para juntarem-se a grupos filiados à al Qaida na Síria.

No ano passado, o FBI confirmadamente colocou Abedi numa "lista de terroristas a observar" e advertiu o MI5 de que o seu grupo estava à procura de um "alvo político" na Grã-Bretanha. Por que não foi ele detido e a rede em torno dele impedida de planear e executar a atrocidade de 22 de Maio?

Estas questões levantam-se por causa de uma fuga do FBI que demoliu a interpretação do "lobo solitário" apresentada após o ataque de 22 de Maio – daí o pânico e o ultraje não característico de Londres em relação a Washington e as desculpas de Donald Trump.

A atrocidade de Manchester põe em causa a política externa britânica ao revelar a sua aliança faustiana com o Islão extremista, especialmente a seita conhecida como Waabismo ou Salafismo, cujo principal guardião e banqueiro é o reino petrolífero da Arábia Saudita, o maior cliente de armas da Grã-Bretanha.

Este casamento imperial remonta à Segunda Guerra Mundial e aos primeiros dia da Fraternidade Muçulmana no Egipto. O objectivo da política britânica era travar o pan-arabismo. Estados árabes desenvolviam então um laicismo moderno, afirmando sua independência em relação ao ocidente imperial e controlando seus recursos. A criação de um Israel voraz destinava-se a apressar isto. O pan-arabismo foi então esmagado, o objectivo agora é a divisão e conquista.

Em 2011, segundo o Middle East Eye , o LIFG em Manchester era conhecido como os "rapazes de Manchester". Implacavelmente opostos a Muammar Kadafi, eles eram considerados de alto risco e um certo número deles estava sob control orders [1] do Ministério do Interior – prisão domiciliar – quando estalaram as manifestações anti-Kadafi na Líbia, um país forjado a partir de uma miríade de inimizades tribais.

Subitamente as control orders foram levantadas. "Permitiram-me ir, sem fazerem perguntas", disse um membro da LIFG. O MI5 devolveu seus passaportes e a polícia anti-terrorismo no aeroporto de Heathrow foi instruíd para que os deixassem embarcar nos seus voos.

O derrube de Kadafi, que controlava as maiores reservas de petróleo da África, fora planeado há muito em Washington e Londres. Segundo a inteligência francesa, o LIFG fez várias tentativas de assassinato de Kadafi na década de 1990 – financiadas pela inteligência britânica. Em Março de 2011, a França, Grã-Bretanha e EUA agarraram a oportunidade de uma "intervenção humanitária" e atacaram a Líbia. Eles foram acompanhados pela NATO sob a cobertura de uma resolução da ONU para "proteger civis".

Em Setembro último, um inquérito do Comité Especial de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Comuns concluiu que o então primeiro-ministro David Cameron havia levado o país à guerra contra Kadafi com base numa série de "suposições erróneas" e que o ataque "levara à ascensão do Estado Islâmico na África do Norte". O comité da Câmara dos Comuns citou a chamada descrição "concisa" de Barack Obama quanto ao papel de Cameron na Líbia: um "espectáculo de merda" ("shit show").

De facto, Obama foi um actor principal no "espectáculo de merda", pressionado pela sua belicista secretária de Estado Hillary Clinton e pelos media que acusavam Kadafi de planear "genocídio" contra o seu próprio povo. "Sabemos... que se esperarmos mais um dia", disse Obama, "Bengazi, uma cidade da dimensão de Charlotte, poderia sofrer um massacre que teria repercutido por toda a região e manchado a consciência do mundo".

A estória do massacre foi fabricada pelas milícias salafistas que se defrontavam com a derrota diante das forças do governo líbio. Eles disseram à Reuters que seria "um banho de sangue real, um massacre como o que vimos em Ruanda". O comité da Câmara dos Comuns relatou: "A proposta de que Muammar Kadafi teria ordenado o massacre de civis em Bengazi não era confirmada pelas evidências disponíveis".

A Grã-Bretanha, a França e os Estados Unidos efectivamente destruíram a Líbia como um estado moderno. Segundo os seus próprios registos, a NATO lançou 9.700 "incursões de bombardeamento", das quais mais de um terço atingiram alvos civis. Eles incluíram bombas de fragmentação e mísseis com ogivas de urânio [empobrecido]. As cidades de Misurata e Sirte sofreram bombardeamento em tapete. A UNICEF, a organização das Nações Unidas para a Infância, informou que uma alta proporção das crianças mortas "tinham menos de dez anos de idade".

Mais do que "provocar a ascensão" do Estado Islâmico – o ISIS já havia fincado raízes nas ruínas do Iraque após a invasão de Blair e Bush em 2003 – estes supremos medievalistas agora tinham todo o Norte da África como base. O ataque também desencadeou uma debandada de refugiados a fugirem para a Europa.

Cameron foi celebrado em Tripoli como um "libertador", ou imaginou que era. As multidões a aplaudirem-no incluíam aqueles SAS abastecidos e treinados pela Grã-Bretanha e inspirados pelo Estado Islâmico, tais como os "rapazes de Manchester".

Para os americanos e britânicos, o verdadeiro crime de Kadafi era a sua independência iconoclasta e o seu plano de abandonar o petrodólar, um pilar do poder imperial americano. Ele audaciosamente havia planeado financiar uma divisa comum africana apoiada pelo ouro, estabelecer um banco para toda a África e promover uma união económica entre países pobres com recursos valiosos. Quer isto pudesse ou não acontecer, a própria ideia era intolerável para os EUA quando se preparavam para "entrar" na África e subornar governos africanos com "parcerias" militares.

O ditador caído escapava. Um avião da Royal Air Force localizou seu comboio e nas ruínas de Sirte ele foi sodomizado com uma faca por um fanático descrito nos noticiários como "um rebelde".

Tendo saqueado o arsenal de US$30 mil milhões da Líbia, os "rebeldes" avançaram para o Sul, aterrorizando cidades e aldeias. Ao atravessarem o Mali sub-saariano, destruíram a frágil estabilidade daquele país. Os sempre-ansiosos franceses enviaram aviões e tropas à sua antiga colónia "para combater a al Qaida", ou a ameaça que haviam ajudado a criar.

Em 14 de Outubro de 2011, o presidente Obama anunciou que estava a enviar tropas de forças especiais para o Uganda para ingressar na guerra civil dali. Nos meses seguintes, tropas de combate dos EUA foram enviadas para o Sul do Sudão, Congo e República Centro-Africana. Com a Líbia garantida, uma invasão americana do continente africano estava em curso, amplamente não noticiada.

Em Londres, uma das maiores feiras de armas do mundo foi encenada pelo governo britânico. O burburinho nos stands era o "efeito demonstração na Líbia". A Câmara de Comércio e Indústria de Londres efectuou uma apresentação prévia intitulada "Médio Oriente: Um vasto mercado para companhias de defesa e segurança do Reino Unido". O hospedeiro era o Royal Bank of Scotland, um grande investidor em bombas de fragmentação (cluster), as quais foram utilizadas extensamente contra alvos civis na Líbia. A publicidade das armas feitas pelo banco louvava as "oportunidades sem precedentes para companhias de defesa e segurança do Reino Unido".

No mês passado, a primeira-ministra Theresa May esteve na Arábia Saudita, a vender mais de £3 mil milhões [€3,4 mil milhões] de armas britânicas que os sauditas têm utilizando contra o Iémen. Baseados em salas de controle em Riad, conselheiros militares britânicos assistem os sauditas nos raids de bombardeamento, os quais mataram mais de 10 mil civis. Há agora sinais claros de fome ali. Uma criança iemenita morre a cada 10 minutos de doenças evitáveis, afirma a UNICEF.

A atrocidade de 22 de Maio em Manchester foi o produto deste estado de violência implacável em lugares distantes, muitos deles com patrocínio britânico. As vidas e os nomes das vítimas quase nunca são por nós conhecidos.

Esta verdade custa a ser ouvida, assim como custa a ser ouvida quando o Metro de Londres foi bombardeado em 7 de Julho de 2005. Ocasionalmente, um membro do público rompe o silêncio, tal como o londrino do Leste que se postou frente à câmara e ao repórter da CNN e disse: "Iraque! Nós invadimos o Iraque. O que esperávamos nós? Vão em frente".

Numa grande assembleia dos media a que compareci, muitos dos importantes hóspedes diziam "Iraque" e "Blair" como uma espécie de catarse do que não ousavam dizer profissionalmente e publicamente.

Contudo, antes de invadir o Iraque, Blair foi advertido pelo Joint Intelligence Commitee de que "a ameaça da al Qaida aumentará desde o princípio de qualquer acção militar contra o Iraque... A ameaça mundial de outros grupos e indivíduos terroristas islâmicos aumentará significativamente".

Assim como Blair trouxe para a Grã-Bretanha a sua violência e o banho de sangue de George W Bush, também David Cameron apoiado por Theresa May agravou o seu crime na Líbia e a suas horrendas consequências, incluindo aqueles mortos e estropiados na Manchester Arena em 22 de Maio.

Não surpreendentemente, as consequências retornam. Salman Abedi actuou sozinho. Ele era um pequeno criminoso, não mais do que isso. Desvaneceu-se a rede extensa revelada na semana passada pela fuga americana. Mas as perguntas não.

Como é que Abedi foi capaz de viajar livremente através da Europa até a Líbia e voltar a Manchester só poucos dias antes de cometer seu crime terrível? Foi Theresa May informada pelo MI5 que o FBI o havia rastreado como fazendo parte de um planeamento de célula islâmica para atacar um "alvo político" na Grã-Bretanha?

Na actual campanha eleitoral, o líder trabalhista Jeremy Corbyn fez uma referência cautelosa a uma "guerra ao terror que fracassou". Como ele sabe, isto nunca foi uma guerra ao terror mas sim uma guerra de conquista e subjugação. Palestina, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria. Dizem que o Irão será a seguir. Antes disso haverá uma outra Manchester, quem terá a coragem de dizer isso? 

31/Maio/2017 
 
[1] Control order: é uma ordem dada pela Secretaria do Interior do Reino Unido para restringir uma liberdade individual com o objectivo de "proteger membros do público de um risco de terrorismo. Sua definição e poderes foram estabelecidos pelo Parlamento no Prevention of Terrorism Act 2005.

O original encontra-se em johnpilger.com/articles/terror-in-britain-what-did-the-prime-minister-know

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Terroristas que se prezam deixam sempre assinatura...

Documentos de identificação descobertos no rastro de ataques terroristas
– Manchester, Berlim, Paris, Nice, Londres, Nova York

por Michel Chossudovsky 
 
Este artigo faz a revisão do "misterioso" fenómeno dos documentos de identificação e passaportes que são rotineiramente descobertos (muitas vezes no entulho) junto a suspeitos de terrorismo após um ataque terrorista.

Na maior parte dos casos, o alegado suspeito já era conhecido das autoridades.

Segundo os governos e informações dos media, os referidos suspeitos são sem excepção ligados a uma entidade filiada à Al Qaeda.

Nenhum destes suspeitos de terrorismo sobreviveu. Homens mortos não falam.

No caso dos eventos trágicos de Manchester, o cartão bancário do alegado bombista suicida Salman Abedi foi encontrado no seu bolso após a explosão.

Legitimação das narrativas oficiais? O Reino Unido é tanto uma "vítima do terrorismo" como um "Estado patrocinador de terrorismo". Sem excepção, os governos de países ocidentais que são vítimas de ataques terroristas têm apoiado, directa ou indirectamente, o grupo de organizações terroristas Al Qaeda – incluindo o chamado Estado Islâmico (ISIS), o qual é alegadamente responsável por perpetrar estes ataques terroristas. Como está amplamente documentado, a Al Qaeda é uma criação da CIA.

Abaixo está uma revisão das circunstâncias e provas respeitantes aos passaportes e documentos de identificação descobertos após ataques terroristas seleccionados, com links para artigos do Global Research e informações dos media (2001-2017). (Esta lista não é de modo algum exaustiva)

Do 11/Set em Nova York à Manchester de Maio/2017
Em ordem cronológica inversa


O ataque terrorista de Manchester, Maio/2017
Suspeito da bomba de Manchester dizem ter ligações à Al Qaeda...

NBCNews.com, 23/Maio/2017, Manchester, Inglaterra — Salman Abedi, o britânico de 22 anos... num ataque bombista suicida, tinha ligações à Al Qaeda e havia recebido treino terrorista... foi identificado por um cartão bancário descoberto no seu bolso na cena do...

Ataque de Manchester como ricochete(blowback) do Mi6?
Por Evan Jones, 26/Maio/2017
"Um cartão bancário foi convenientemente descoberto no bolso do... O Daesh responsabilizou-se pelo ataque de Manchester, mas sem..."
MANCHESTER, Inglaterra – Salman Abedi, o britânico de 22 anos que se acredita ter morto 22 pessoas num ataque bombista suicida , tinha ligações à Al Qaeda e havia recebido treino terrorista no exterior, informou quinta-feira um responsável da inteligência dos EUA à NBC News quando o Reino Unidos aumentou seu nível de ameaça terrorista para a categoria mais alta.

O responsável da inteligência dos EUA, o qual tem conhecimento directo da investigação, diz que Abedi, cuja família é de ascendência líbia, foi identificado por um cartão bancário descoberto no seu bolso na cena da explosão após um concerto Ariana Grande na Manchester Arena. A identificação foi confirmada por tecnologia de reconhecimento facial, disse o responsável.

Abedi havia viajado para a Líbia nos últimos 12 meses, um dos múltiplos países que visitou, disse o responsável. E apesar de ter "ligações claras à Al Qaeda, acrescentou o responsável, Abedi também podia ter conexões a outros grupos.
Nenhuma imagem do alegado cartão bancário está disponível.

Ironicamente, o suspeito Abedi foi primeiramente identificado por Washington ao invés da polícia e segurança do Reino Unido. Como é que eles podiam saber quem era o culpado três horas após a explosão? Segundo Graham Vanbergen :

Nas primeiras horas da manha de 23 de Maio – aproximadamente 02:35 BST , a NDTV via The Washington Post declarava bastante categoricamente que:
"Responsáveis estado-unidenses, falando na condição de anonimato, identificaram o atacante como Salman Abedi . Eles não forneceram informação acerca da sua idade ou nacionalidade e responsáveis britânicos não quiseram comentar acerca da identidade do suspeito".

Isto foi publicado no momento em que a polícia e os serviços de segurança britânicos estavam a recusar-se a fazer quaisquer declarações acerca de quem pensavam que fossem os perpetradores porque naquele momento eles estavam a tratar das consequências imediatas do evento.

O ataque terrorista de Berlim com camião, Dezembro/2016

'. O suspeito terrorista do camião em Berlim e a curiosa questão dos documentos de identificação deixados atrás de si
Por WhoWhatWhy , 22/Dezembro/2016
O suspeito do ataque terrorista com camião e a curiosa questão dos documentos de identificação deixados atrás de si. Por WhoWhatWhy. Global Research, 22/Dezembro/2016. Who What Why 21….:

Os documentos de identidade do suspeito foram encontrados dentro do camião utilizado no ataque de segunda-feira num mercado de Natal, o qual resultou em 12 mortos, disseram responsáveis alemães da segurança.

O suspeito era conhecido dos serviços de segurança alemães como alguém em contacto com grupos islâmicos radicais e havia sido avaliado como apresentando um risco, informou o ministro da Westphalia a Norte do Reno, Ralf Jaeger, a repórteres.

O ataque terrorista de Nice, Julho/2016 Fonte: Daily Mail, 15/Julho/2016

O ataque terrorista de Nice: Rumo a um estado permanente de Lei Marcial em... o alegado perpetrador está morto e convenientemente deixou seus documentos de identidade atrás de si.

Nice, Massacre de 14 de Julho: Rumo à Lei Marcial? O Estado Islâmico (ISIS-Daesh) assume responsabilidade?
Por Peter Koenig , 15/Julho/2016
De acordo com Peter Koenig em relação ao ataque terrorista de Nice:
Durante a celebração noturna do Feriado Nacional Francês, cerca das 23 horas, um camião veloz acometeu violentamente uma multidão de milhares de pessoas que assistiam aos fogos de artifício ao longo do Boulevard Anglais mediterrânico. O condutor do camião estava simultânea e indiscriminadamente a atirar-se à multidão. Ele conseguiu andar cerca de 2 quilómetros antes de ser travado pela polícia, a qual instantaneamente disparou e matou-o.

Um horrendo ataque terrorista, matando multidões de pessoas, propagando sofrimento, miséria, medo e ultraje em França, na Europa – no mundo todo. Todas as indicações assinalam o Grande Roteiro (Big Script) de mais um ataque de falsa bandeira, mais uma vez em França.

O jovem condutor do camião foi identificado como um francês de 31 anos, residente em Nice, com origens tunisinas. Como nos casos anteriores, por "coincidência" seus documentos de identidade foram encontrados no camião.

'. 
 
O jovem foi morto instantaneamente pela polícia. Os mortos não podem falar. Um padrão já bem conhecido.

Ataque terrorista ao Charlie Hebdo, em Paris, Janeiro/2015

A polícia encontrou o documento de identificação de Said Kouachi na cena do tiroteio no Charlie Hebdo. Será que isto soa familiar?
Por Dr. Paul Craig Roberts , 10/Janeiro/2015
"De acordo com o noticiário, a política encontrou o documento de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio no Charlie Hebdo. Será que isto soa familiar? Recordem: as autoridades afirmam terem encontrado o passaporte intacto de um dos alegados sequestradores do 11/Set entre as maciças ruínas pulverizadas das Torres Gémeas".

Ataque terrorista do Bataclan, Paris, Novembro/2015
Os ataques terroristas do 11/Set e de Paris: "Provas" semelhantes tornam-se suspeitas
Por Timothy Alexander Guzman , 20/Novembro/2015
O Estado Islâmico (ISIS/ISIL) declarou ser responsável pelos ataques mais recentes em Paris, tal como o fez a Al Qaeda que também se responsabilizou pelo 11/Set. ... Contudo, há semelhanças entre os ataques terroristas em Paris e na cidade de Nova York no 11 de Setembro.

Primeiro, os passaportes sírio e egípcio de dois dos bombistas suicidas foram encontrados na cena do ataque no estádio na parte norte da cidade. Mesmo depois de ambos os terroristas detonarem seus dispositivos explosivos, os seus passaportes ainda foram encontrados.

Isto traz-nos de volta aos ataques terroristas do 11 de Setembro, em que responsáveis dos EUA recuperaram um passaporte intacto a uns poucos quarteirões do World Trade Center , pertencente a um dos sequestradores.

Passaportes mágicos recorrentes: O passaporte sírio alegadamente descoberto no bombista suicida de Paris
Por 21st Century Wire , 14/Novembro/2015

No contexto do inquérito acerca dos massacres de Paris, um passaporte sírio (imagem à direita) foi encontrado junto a um dos bombistas kamikazes do Stade de France. Depois de ser apontado pelo presidente Hollande como responsável pelos ataques, o Estado Islâmico afirmou que havia engendrado a carnificina. O executivo francês, que já havia declarado pretender entrar em acção na Síria, alegadamente contra o ISIS mas realmente contra Bachar El Assad, o qual "tinha de ir", encara isto como uma pista significativa que incentiva sua expedição militar.

Ataque terrorista de Londres, 7/Julho/2005
As explosões londrinas de 7/Julho e a Operação "Stepford Four" do MI5: Como as explosões de Londres em 2005 transformaram todo muçulmano num "suspeito de terrorismo"

Por Karin Brothers , 26/Maio/ 2017

Na terça-feira, 12 de Julho, a esposa de Lindsay, Samantha Lewthwaite, telefonou à polícia para informar o desaparecimento do seu marido Germaine ("Jamal"). A polícia investigou a sua casa imediatamente. No dia seguinte, 14 de Julho, a polícia anunciou que tinha o documento de identificação de Lindsay e que ele era o quarto bombista. Lewthwaite ficou incrédula e recusou-se a acreditar na acusação sem prova do DNA. A identificação da polícia foi espantosa porque eles tinham estado a afirmar que todos os suspeitos pareciam paquistaneses; não havia maneira de alguém poder confundir o grande e negro Lindsay com um asiático. Para a polícia estivera a olhar?

Ataques terroristas do 11/Set: 11/Setembro/2001

Será que a América foi atacada por muçulmanos em 11/Set?
Por David Ray Griffin , 11/Setembro/2016

A verdade do 11/Set e o inquérito conjunto do Congresso: 28 páginas de orientação errada sobre o papel da Arábia Saudita
Por Dick Atlee e Ken Freeland , 11Setembro/2015
Durante anos o movimento 9/11 Truth (9TM) esteve a implorar em vão ... ao agente do FBI Dan Coleman para que explicasse como o passaporte do sequestrador do 11/Set ...

Contradições do 11/Set: o Mitsubishi de Mohamed Atta e sua bagagem
Por David Ray Griffin , 09/Maio/2008
Contradições do 11/Set: o Mitsubishi de Mohamed Atta e sua bagagem ... Ele também continha um passaporte saudita, um carta internacional de condução, ...

" Na versão oficial do 11/Set o FBI afirmou que havia encontrado o passaporte incólume de um dos pilotos próximo a uma das torres que haviam sido reduzidas a cinzas pelas explosões, cujo calor fundira mesmo o aço das colunas na estrutura dos edifícios. O crash do quarto avião perto de Shanksville também rendeu um passaporte o qual, embora ligeiramente queimado, ainda permitiu ler o primeiro nome e o sobrenome e ver a sua foto de identificação. Isto é o mais perturbante de tudo pois nada restou na cratera, nenhuma parte do avião ou das pessoas que nele viajavam, só este passaporte parcialmente queimado.
Confirmado por Dan Rather, da CBS News: "um transeunte encontrou o passaporte de um dos sequestradores" na rua, apenas horas depois dos ataques do 11/Set. (Vídeo aos 1'.23'').

Segundo Who What Why :
 
 
O [documento] de Visto (Visa) de Satam al-Suqami : Este documento de identidade de um dos alegados sequestradores do 11/Set de algum modo sobreviveu incólume a uns poucos quarteirões das Torres Gémeas, embora o próprio avião fosse virtualmente aniquilado.

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Os passaportes pertencentes a Ziad Jarrah e Saeed al-Ghamdi: Os passaportes dos dois alegados sequestradores do Voo 93 da United Airlines supostamente sobreviveram ao crash ardente na Pennsylvania que deixou o próprio avião carbonizado e amplamente disperso – com um passaporte inteiramente intacto.

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Passaporte of Saeed al-Ghamdi
 
Matéria para meditação

Podemos nós acreditar na narrativa oficial do governo?

Podemos nós acreditar nos media ocidentais?
27/Maio/2017 
 
O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Em direcção a uma «Primavera Latina» ?

por Thierry Meyssan

 A inquietação cresce na América Latina : os Estados Unidos e o Reino Unido preparam aí uma «Primavera», decalcada no modelo das «Primaveras Árabes». É claro, não se tratará desta vez de espalhar a guerra dividindo para isso as populações na base de uma linha religiosa —os Latinos são quase todos cristãos—, mas, antes de utilizar elementos de identidades locais distintivas. O objectivo seria no entanto o mesmo : não o de substituir uns governos por outros, mas, sim destruir os Estados para erradicar a mínima possibilidade de resistência ao imperialismo.


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Com o tempo, inúmeros líderes políticos do mundo reinterpretaram as «Primaveras Árabes». Aquilo que aparecia como sendo revoluções espontâneas contra governos autoritários é agora percebido como o que realmente é: um plano anglo-saxónico de desestabilização de toda uma região do mundo para lá colocar no poder os Irmãos Muçulmanos. A memória da «Revolta Árabe de 1916», durante a qual Lawrence da Arábia provocou o levantamento da região contra o Império Otomano fazendo os Povos sonharem com a liberdade para acabar no final por escravizá-los ao Império Britânico, mostra que Londres é perita no assunto.

Parece que os Anglo-Saxões preparam uma nova vaga de pseudo-revoluções na América Latina. Tudo começou com um decreto de Barack Obama, a 9 de Março de 2015, declarando um “estado de emergência” em função da ameaça extraordinária que a situação na Venezuela faria pesar sobre os Estados Unidos. Este documento suscitou uma onda de indignação no continente forçando o Presidente dos EUA a apresentar desculpas aquando de uma cimeira internacional. Mas... o decreto não foi revogado e os preparativos para uma nova guerra continuam.

Ao contrário do Syrian Accountability Act (Lei de Responsabilização da Síria- ndT) de George W. Bush (2003), o texto de Obama sobre a Venezuela é um decreto presidencial e não uma lei. Por conseguinte, o Executivo não tem que prestar contas dos preparativos ao Legislativo. Se levou oito anos aos Anglo-Saxões para passar à acção no mundo árabe, em geral, e na Síria em particular, inúmeros elementos sugerem que lhes bastará menos tempo para lançar um programa de destruição de América Latina.

Motins irromperam no Brasil, por ocasião dos Jogos Olímpicos, contra a Presidente Dilma Rousseff.
Esta foi destituída na sequência de um processo parlamentar, legal é certo, mas totalmente contrário ao espírito da Constituição. Este golpe de Estado foi realizado sob a supervisão do Banco Central —cujo nº2 era um brasileiro-israelita— por Deputados, dos quais muitos estão hoje condenados por corrupção. Os Serviços de Segurança do Estado ficaram estranhamente quietos durante este golpe. É que, durante os Jogos Olímpicos, eles tinham sido colocados sob a coordenação de ... peritos israelitas. Actualmente, o novo Presidente, o brasileiro-libanês Michel Temer é, por sua vez, amplamente contestado.

A situação não é muito melhor no México. O país está de facto já dividido em quatro. O Norte experimenta um forte crescimento, enquanto o Sul está em plena recessão. Os dirigentes políticos venderam a companhia petrolífera nacional e todas as suas reservas, a Pemex, aos Estados Unidos (que, aliás, não têm necessidade do petróleo do Médio-Oriente). Apenas o Exército parece ainda acreditar em Pátria.

Explorando os erros económicos do governo, a Oposição venezuelana conseguiu organizar algumas grandes manifestações pacíficas. Simultaneamente, ela organizou minúsculas reuniões extremamente violentas no curso das quais polícias e manifestantes foram mortos. Semeando a confusão, as agências de notícias internacionais dão a impressão que começou uma revolução contra os chavistas,
que não é o de todo o caso.

Assim, os três principais Estados latino-americanos estão a ser desestabilizados ao mesmo tempo.
Parece que os neo-conservadores norte-americanos (“neo-cons”-ndT) antecipam uma possível paz na Síria e aceleram os seus projectos latino-americanos.

Sexta-feira, numa alocução televisionada, o presidente venezuelano Nicolás Maduro avisou o seu povo contra o projecto anglo-saxónico de «Primaveras Latinas». Repetida e demoradamente ele citou os precedentes líbio e sírio, perante uma plateia de intelectuais da região, à qual, Sírio de coração, eu me associara.

Tradução
Alva
Fonte
Al-Watan (Síria)

aqui:http://www.voltairenet.org/article196386.html

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A terceira via para o abismo

por José Goulão

Em tudo o que é comunicação social situacionista, a nível interno e internacional, as manobras conduzidas em torno da figura de Macron serviram para redesenhar «a esquerda» institucional, embora o candidato agora presidente tenha sido inicialmente definido como «centrista».

Créditos / EPA/Agência Lusa

A epidemia potencialmente letal que atinge hoje os partidos socialistas e social-democratas terá começado com Anthony Blair à frente dos trabalhistas britânicos, embora a degeneração gradual viesse de trás.

No entanto, a conversão ao ultraconservadorismo de Thatcher e Reagan, a submissão às inquestionáveis ordens do mercado, as ânsias de privatização do Estado e os ataques sem piedade aos direitos sociais e laborais dos cidadãos representaram um salto qualitativo na degradação, a que se foram juntando, numa vertigem que agora se conclui ser suicida, as mentiras na cena internacional, o culto da guerra, a rapina generalizada.

Aproveitando depois o balanço e as circunstâncias propícias da História ocorridas na transição da década de oitenta para a de noventa do século passado, os agentes da paciente conspiração norte-americana em Itália infiltrados nos Partidos Socialista e Comunista aceleraram a sua missão e, nos escombros das duas entidades históricas, ergueram o Partido Democrático, à imagem e semelhança do seu homónimo dos Estados Unidos – isto é, sem funcionamento orgânico e seguindo orientação económica neoliberal – que definiram como sendo a nova «esquerda», daí em diante a única com vocação de poder.

Há pouco mais de um ano, o então presidente francês, François Hollande, eleito pelo Partido Socialista, defendeu que os novos tempos exigiam um «hara-kiri do PS», uma transformação em algo de ideologia muito mais abrangente e indefinida, que imaginou como «Partido do Progresso»; na mesma altura, um dos primeiros-ministros que nomeou durante o seu mandato, Manuel Valls, declarou a necessidade de o Partido Socialista mudar de nome.

Há poucos meses, o ministro da Economia de ambos, Emmanuel Macron, também ele uma figura do PSF, lançou o movimento En Marche que, sem militantes e estrutura mas com financiamento dos bancos e banqueiros para os quais trabalhou, e com o apoio operacional de agentes enviados pelo Partido Democrático dos Estados Unidos, o catapultou quase do zero até à Presidência da República.
Enquanto isso, o candidato oficial do PS – ou do que dele resta – ficou abaixo dos sete por cento nas eleições presidenciais, abandonado pelo aparelho do partido, pela sua Fundação Jean Jaurès e pelas figuras de proa, com destaque para Hollande e Valls, que logo se puseram en marche com Macron.

Em tudo o que é comunicação social situacionista, a nível interno e internacional, as manobras conduzidas em torno da figura de Macron serviram para redesenhar «a esquerda» institucional, embora o candidato agora presidente tenha sido inicialmente definido como «centrista». O resto é «extrema-esquerda» ou «esquerda radical», isto é, organizações «desfocadas» da realidade, «agarradas ao passado», incapazes de se adaptarem aos novos conceitos evolutivos, em suma, entidades que se atrevem a rejeitar a doutrina única e oficial, o capitalismo selvagem.

Dos casos citados a propósito do Reino Unido, Itália e França, só os trabalhistas britânicos ainda resistem à dissolução, por continuarem a recorrer, pelo menos até agora, a consultas às bases partidárias para elegerem os dirigentes e não ao artifício anti partidário das primárias, importado, claro, dos Estados Unidos da América. Porém, mesmo desacreditado perante o reconhecimento geral dos seus crimes e mentiras no drama do Iraque, Tony Blair e a sua teia de propaganda voltam a estar activos na intriga e desestabilização do Partido Trabalhista, de modo a reencaminhá-lo na senda da destruição que muitos outros estão a percorrer.

Os casos de Itália e França são exemplares. Renzi e Macron parecem saídos da mesma forma tecnocrática de políticos robotizados em práticas de direita, envolvidos na mentira, agora cada vez mais grosseira, de que eles são «a esquerda».

Outras situações do género, que traduzem a destruição de partidos socialistas, estão consumadas ou na calha. Em Espanha, a deriva do PSOE é total, acelerada depois de ter entregado o poder, de novo, aos neofranquistas de Rajoy; e, na Alemanha, o SPD está a pagar cara a submissão feita de cumplicidade ao autoritarismo de Merkel.

Na Grécia, a miniaturização do PASOK é idêntica à do PS francês, embora sem o efeito Macron; pelo menos por enquanto, embora não seja seguro que o tsiprarismo, cada vez mais fiel às ordens de Bruxelas à custa do ainda e sempre penalizado povo grego, não vá no mesmo sentido.

Na Holanda e na Bélgica, os partidos da Internacional Socialista pulverizaram-se devido ao envolvimento na gestão da crise, praticando políticas de direita – e até de extrema-direita e xenófobas, sob o interessante pretexto de travar a influência da extrema-direita. Hollande não foi, portanto, o caso único, embora tenha ido mais longe ao governar em estado de excepção durante grande parte do mandato.

No mundo nórdico, os partidos da social-democracia, outrora reis e senhores, afundam-se em situação de deriva depois de se terem rendido à prática neoliberal, por vezes seguindo os conservadores ou então tomando a iniciativa – também para «retirar espaço» à direita.

Nos países do leste europeu, a social-democracia mal viu a luz do dia depois da extinção da União Soviética. Nasceu já neoliberal e limitou-se a colaborar na afirmação do populismo e da extrema-direita como verdadeiros gestores do capitalismo selvagem.

Às práticas thatcheristas de Blair, os politólogos sempre em busca de baptismos para «novas esquerdas» chamaram «terceira via». Para onde? Para o socialismo, pois claro, de acordo com as suas doutas elucubrações em forma de mensagens propagandísticas primárias. Na verdade, mais uma via para o capitalismo puro e duro, à moda de Friedman e dos «Chicago Boys» que criaram «o milagre de Pinochet» – por fim o capitalismo isento de quaisquer inquietações sociais e com as pessoas, livre da mais ínfima das sequelas keynesianas.

Com maior ou menor convicção, os partidos socialistas e social-democratas seguiram Blair incarnando o flautista de Hamelin, institucionalizando-se como o «lado esquerdo» do sistema bipolar que governou a União Europeia como partido único, até estatelar-se estrondosamente, em 2008, nos frutos podres da subserviência ao casino financeiro – a «crise».

Se alguém tiver dúvidas, pode consultar as decisões do Parlamento Europeu tomadas ao longo de anos e anos: em matérias de cultura, questões de consciência e até direitos teóricos, é possível detectar diferenças entre os comportamentos dos membros do Partido Popular e do Grupo Socialista; mas quando se chega aos assuntos económicos, laborais, à imposição da austeridade, às medidas financeiras, de combate à crise ou de estruturação autoritária da União Europeia e da Zona Euro, aí a convergência é praticamente total entre os dois blocos.

A verdade é que a conjugação da crise com os efeitos sociais, a que se junta o problema dos refugiados resultante de guerras pelas quais a União Europeia também é responsável, desmoronou a arquitectura política de partido único com duas tendências. Na entropia resultante em que vivemos, na qual multidões de cidadãos desorientados, manipuladas pelos aprendizes de feiticeiros peritos em explorar o medo e a insegurança, são cativadas por apelos de populistas mais ou menos envernizados, por mensagens trabalhadas à maneira de anúncios de refrigerantes, ou até por fascistas retintos, as esquerdas que permanecem fiéis ao humanismo, à cidadania e às pessoas quase não conseguem fazer-se ouvir.

No meio das ruínas da arquitectura política em extinção tornou-se evidente que o papel da social-democracia oficial na gestão do neoliberalismo, mesmo temperada pela «terceira via», se tornou descartável, inútil. Cumpriu o papel, mas cabe agora à direita pura e dura, nas suas variantes que chegam até aos extremos do populismo e do fascismo, gerir o sistema neoliberal.

O arrastamento da crise, desmentindo a teoria dos ciclos altos e baixos da economia, tornou o funcionamento do sistema praticamente impossível em democracia. É preciso afastar os cidadãos do direito de decidirem, seja pela força, pelo autoritarismo em liberdade condicionada, pela intoxicação tecnocrática disfarçada de inovação política.

Por isso os Partidos Socialistas caem como pedras de dominó. A maioria dos seus dirigentes instalam-se no novo espaço. Onde já se encontra, há muito, a instituição que conduz este processo de modo cada vez mais indisfarçado: o Partido Democrático dos Estados Unidos. Daí que Hillary Clinton, senhora da guerra com as mãos sujas de sangue de milhões de mortos e feridos e do sofrimento de milhares de refugiados, seja a figura de referência da Internacional Socialista de hoje.
Está encontrada mais uma «nova esquerda», agora sim fazendo inequivocamente parte da direita.

Porém, como sabemos, nem todos os dirigentes socialistas apanharam a boleia de Blair e discípulos: existem casos de resistência a alguns valores essenciais; além disso, os chefes que fogem deixam para trás multidões de cidadãos que não estão dispostos a acompanhá-los como os ratos seguiram o flautista de Hamelin – e assim volto ao velho conto de Grimm.

Por isso, a esquerda – ou as esquerdas, se preferirem – têm agora milhões de seres humanos como destinatários de mensagens que sejam capazes de mobilizar o combate contra um adversário poderosíssimo mas cada vez mais definido e identificável, por muito que use e abuse da intoxicação, do ilusionismo e da mistificação.

Para que as mensagens sejam unificadoras da mobilização e dinamizadoras dos objectivos de luta é necessário que as esquerdas decidam, de vez, deixar de se dividir e engalfinhar em torno de ilusões que a realidade está cansada de desmascarar: a burla do «mercado livre», o mito «europeísta», a ideia absurda de que a União Europeia é «regenerável», a mentira de que é possível compatibilizar a democracia e a soberania com a obediência aos ditadores servindo Bruxelas e a moeda alemã, também chamada única ou euro.

Num dia, que está próximo pela força das circunstâncias, a Internacional Socialista mudará também ela de nome, sem precisar de fazer hara-kiri. Grande parte dos seus membros já o fizeram. Se preferir continuar a chamar-se assim, ficará como um imprestável paquiderme em busca do seu cemitério.

aqui:http://www.abrilabril.pt/terceira-para-o-abismo

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O crescimento exponencial da insegurança



por Paul Craig Roberts 
 

Não há isso de ciber segurança. A única escolha é mais ou menos segurança, como demonstra o recente hack da National Security Agency.

Hackers roubaram uma ciber arma da NSA, a qual foi utilizada em ataques (no momento em que escrevo) a 150 países, encerrando elementos do Serviço Nacional de Saúde britânico, da companhia de telecomunicações espanhola Telefonica, montadores de automóveis como a Renault e a Nissan, o Ministério do Interior russo, o Federal Express, a companhia de energia PetroChina e muito mais.

A tendência dos noticiários não é culpar a NSA por sua falta de cuidado e sim atribuir a culpa aos utilizadores da Microsoft por não actualizarem seus sistemas com um patch (remendo) emitido dois meses atrás. Mas as questões importantes não têm sido perguntadas: O que a NSA estava a fazer com tal malware e porque a NSA não informou a Microsoft do mesmo?

Claramente, a NSA pretendia utilizar a ciber arma contra algum país ou países. Por que tinha ela de mantê-la em segredo para a Microsoft?

Era para ser utilizada a fim de deitar abaixo sistemas russos e chineses antes de lançar um primeiro ataque (first strike) nuclear contra estes países? O Congresso deveria estar a perguntar isto pois é certo que os governos russo e chinês estão. Como informei anteriormente, o Alto Comando Russo já concluiu que Washington está a preparar um primeiro ataque contra a Rússia, assim como a China.

É extremamente perigoso que duas potências nucleares tenham esta expectativa. Este perigo não recebeu atenção de Washington e dos seus vassalos da NATO.

O presidente da Microsoft, Brad Smith, comparou o roubo da ciber arma da NSA a "os militares dos EUA terem alguns dos seus mísseis Tomahawk roubados". Por outras palavras, com ciber armas, tal como com armas nucleares e prazos curtos de advertência, as coisas podem desandar muito. http://www.bbc.com/news/technology-39915440

E se os hackers tivessem atacado com êxito o Ministério da Defesa russo ou sistemas de advertência por radar? Será que o Alto Comando Russo teria concluído que o ciber ataque era o prelúdio de Washington para a chegada de ICBMs?

O facto de que ninguém em Washington ou qualquer governo ocidental tenha se aproximado para tranquilizar o governo russo e pedir a remoção das bases de mísseis dos EUA que cercam a Rússia indica um nível de arrogância ou recusa que vai além da compreensão.

No meu texto de 12 de Maio escrevi: "Os custos da revolução digital excederam os seus benefícios muitas vezes. A revolução digital rivaliza com as armas nucleares como a mais catastrófica tecnologia do nosso tempo". Em resposta, Robert Henderson escreveu-me da Inglaterra a dizer que em 2010 havia tratado dos enormes custos da revolução digital. Aqui está o link para o seu artigo: "Men and Machines: Which is Master Which is Slave?" ("Homens e máquinas: Quem é o mestre e quem é o escravo?") livinginamadhouse.wordpress.com/...

A leitura do seu artigo elevará a sua consciência. Quando se acrescenta os vastos custos financeiros, a despersonalização do relacionamento humano e a completa perda de privacidade individual e segurança, o benefício de estar conectado é amplamente sobrepujado pelos custos.

Arquivos em papel são muito mais seguros. O malware não pode ser neles introduzido. Roubar uma informação pessoal exigiria saber a localização da mesma, a intrusão no edifício, a busca de dados em arquivos e a cópia da informação. Interceptar uma comunicação de voz exigia um mandado para escutar (wiretap) uma linha telefónica específica.

As pessoas nascidas num mundo onde a facilidade de comunicação vem ao preço da perda de autonomia nunca experimentam privacidade. Elas estão inconscientes de que foi perdido um fundamento da liberdade.

Na nossa era de imprensa e TV controladas, a revolução digital serve por enquanto como uma verificação da capacidade da elite dominante para controlar explicações. Contudo, a mesma tecnologia que actualmente permite explicações alternativas pode ser utilizada para impedi-las. Na verdade, esforços para desacredita e limitar explicações não aprovadas estão já a caminho.

Os inimigos da verdade têm uma arma poderosa na revolução digital e podem utilizá-la para arrebanhar a humanidade dentro de uma distopia tirânica. A revolução digital tem mesmo o seu próprio Buraco de Memória. Ficheiros armazenados electronicamente por tecnologias mais velhas já não podem saer acessados pois existem em formatos electrónicos ultrapassados que não podem ser abertos pelos sistemas actuais em uso.

Os humanos estão a demonstrar serem a mais estúpida das formas de vida. Eles criam armas que não podem ser utilizadas sem se destruírem a si próprios. Eles criam robots e mitos de livre comércio que eliminam seus empregos. Eles criam tecnologia de informação que destrói sua liberdade.

As distopias tendem a ser permanentes. As gerações nelas nascidas nunca chegam a conhecer algo diferente e os mecanismos de controle são totais.

E os écrans digitais servem como Soma .
15/Maio/2017 
O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2017/05/15/exponential-growth-insecurity/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/


aqui:http://resistir.info/eua/roberts_nsa_15mai17.html 

Publicação em destaque

Marionetas russas

por Serge Halimi A 9 de Fevereiro de 1950, no auge da Guerra Fria, um senador republicano ainda desconhecido exclama o seguinte: «Tenh...